Foto: APBrasil e Cuba disputam neste domingo, às 16h (horário de Brasília) a final do Campeonato Mundial masculino de vôlei, em Roma, na Itália. Enquanto os brasileiros buscam o tricampeonato, os cubanos tentam o primeiro título e voltam a disputar a decisão depois de vinte anos. Mas as duas seleções têm um ponto em comum: a renovação.
Bernardinho mudou a sua equipe depois da prata nas Olimpíadas de Pequim. Chegaram caras novas como o levantador Bruninho, o oposto Leandro Vissotto e o central Lucão, titulares neste Mundial. Do ouro do torneio em 2006 restaram apenas Dante, Murilo, Rodrigão e Giba, que hoje é reserva da equipe.
Do lado cubano, só caras novas. A seleção é o conjunto mais novo do campeonato, com média de idade de 22 anos e cinco meses. O astro do time é um jovem de apenas 17 anos. O ponteiro Wilfredo Leon foi titular absoluto em todas as partidas e se destaca com serviço potente e certeiro e variação no ataque. Além da seleção adulta, ele ainda atua pela equipe juvenil e foi campeão dos Jogos Olímpicos da Juventude. O capitão do time é mais um da nova geração. Robertlandy Simon, de 23 anos, é uma das jogadas de segurança do levantador Raydel Aguirre Hierrezuelo e já foi eleito o melhor jogador da Copa dos Campeões, em 2009. Além disso, lidera as estatísticas de bloqueio neste Mundial.
A situação das seleções, entretanto, é um pouco diferente. O Brasil busca se reafirmar, uma vez que já domina o cenário mundial há uma década. Já Cuba teve a sua melhor colocação no campeonato em 1990, no Rio de Janeiro, quando foi vice após cair diante da Itália na decisão. “No começo, não pensávamos que chegaríamos até a final. Estamos acostumados a jogar dia após dia. Mas o campeonato é como uma guerra, e ainda falta uma batalha”, disse Simon.
Se o Brasil é um time mais equilibrado, com variação e volume de jogo, e que varia saques forçados com Murilo e Dante e outro balanceados, com Rodrigão, a aposta de Cuba é na força física de seus atletas, que soltam o braço no serviço o tempo todo e saltam muito para atacar e bloquear. Os brasileiros já sabem o que como deve agir na final. “Não podemos enfrentar o bloqueio de Cuba, que é muito alto. Cabe a gente ter paciência”, analisou Murilo.
Os brasileiros sabem que terão a pressão de serem os favoritos e que os caribenhos tentarão arriscar tudo nessa partida. “A gente não pode dar pontos para eles, são eles quem tem que fazer. Se eles jogarem livres, sem pressão, podem complicar”, falou Dante. “Cuba é um grupo muito forte, que está jogando com um nível técnico muito alto”, elogiou Giba.
Bruninho fará o impossível para jogar
O levantador Bruninho ainda é dúvida para a final do Campeonato Mundial. Na semifinal, na vitória sobre a Itália, Murilo deu um “pisão” no tornozelo esquerdo do companheiro depois de um ataque pelo fundo. Bruno teve que ser substituído e passou o resto da partida mancando e com dificuldades para saltar. Ele fez tratamento no local e está confiante de que estará em quadra.
"Passei a noite com gelo no tornozelo e com o aparelho de fisioterapia para diminuir a dor. O local ainda está sensível, mas continuarei tratando até a hora do jogo e vou fazer o ‘impossível’ para ajudar meus companheiros na final de hoje (domingo)", disse o levantador.
Bruno também passou por exames, que não apontaram nenhuma fratura no local. "Felizmente o raio-X não apontou uma fratura, o que seria o pior cenário possível. Algumas pessoas que viram pela TV a hora que o Murilo caiu sobre minha perna disseram que eu tive sorte por não ser sofrido algo mais grave", comentou.
Bernardinho, após a partida da semifinal do sábado, estava preocupado com a condição de seus atletas. “Agora tenho que me concentrar em recuperar os jogadores chaves já que a final contra Cuba será uma verdadeira guerra”, afirmou o técnico brasileiro.
Marlon, levantador reserva, está se recuperando de uma inflamação no intestino e chegou a ter a sua participação no Mundial ameaçada pela doença, mas pode assumir a vaga de titular.
Revanche e metas pessoais
A final do Campeonato Mundial será a segunda partida entre Brasil e Cuba neste torneio e pode ter um gosto de revanche para o time nacional. Na primeira fase, os cubanos venceram por 3 sets a 2 e ficaram com a liderança do grupo. “Cuba vem fazendo um excelente campeonato e conta com dois destaques na competição, Leon e Simon. Eles ganharam de times grandes e estão de parabéns. Teremos que entrar 100%”, disse o central Rodrigão.
Além disso, essa final de Mundial é inédita. Brasil e Cuba duelam pela primeira vez e na primeira decisão do torneio sem nenhum time da Europa.
E além do tricampeonato com a seleção, tem gente buscando marcas pessoais. O oposto Leandro Vissotto, se conquistar o ouro, iguala a marca do ex-capitão Nalbert, com títulos mundiais com as equipes infanto, juvenil e adulta do Brasil. Já Bernardinho pode se tornar o único técnico tricampeão mundial em esportes coletivos no País.
IG
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